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A elite do ensino

23/09/2014 09:00

Enquanto aguarda a transferência da ligação, quem espera escuta o tema da vitória, o mesmo executado quando Ayrton Senna vencia corridas na Fórmula 1. A conquista, nesse caso, é estar entre os melhores, porém em seleções para o ensino superior. Ao escolher a música, os donos da escola quiseram transmitir aos pais e alunos o compromisso de formar campeões.

Em outro colégio, estudantes são chamados de estrategistas, pois devem criar táticas de solução de provas para largar na frente dos concorrentes. Há ainda escolas 24 horas, aulas com até três professores em sala e até viagens ao exterior fazem parte do projeto de formação.

 Encontro Brasília visitou as primeiras colocadas no mais recente Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), entre os estabelecimentos particulares, para conhecer a receita de sucesso dessas instituições. Cada uma trabalha uma proposta pedagógica diferente, mas todas dividem o mesmo objetivo: capacitar para vestibulares nas universidades mais concorridas do país. Atualmente, o Enem é forma de ingresso em todas as 59 universidades federais. A Universidade de Brasília (UnB) usou as notas do exame como vestibular pela primeira vez em 2013.

 Alunos de 159 escolas participaram da avaliação mais recente no Distrito Federal. O Olimpo, primeiro colocado, teve média de 679,55 pontos. Foi o único de Brasília a constar no ranking dos 30 melhores do país, na 27ª posição, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O Galois ocupa o segundo lugar, com 654,86 pontos. A terceira melhor colocação é do Pódion, com 645,6589 pontos, seguido do Sigma (unidade da Asa Norte), com 645,5449, do Sigma (Asa Sul), com 641,7654 pontos, e Colégio Sagrado Coração de Maria, com média de 625,696.

 Considerado a melhor escola do Brasil, de acordo com o desempenho no Enem, o Objetivo Colégio Integrado (SP) teve nota 740,81. A média é calculada de acordo com o rendimento nas provas objetivas, divididas em blocos de conhecimento: ciências da natureza, ciências humanas, matemática e linguagens. A previsão de especialistas é de que as notas das escolas brasilienses subam no próximo Enem, que passou a ser critério de acesso à UnB e deve ser levado ainda mais a sério.

 No Olimpo, a metade da turma de 3ª série foi aprovada no mais recente vestibular da UnB. Cerca de 50 jovens puderam escolher entre terminar o ensino médio ou seguir para a próxima etapa. É comum ver adolescentes que ainda estão no primeiro ou segundo período do ensino médio, nessa escola, entre os primeiros colocados nas listas de convocados para universidades competitivas. No Olimpo, aprende-se todo o conteúdo dos três anos em apenas dois. O último é usado para revisão de conteúdo, com carga horária de 40 horas semanais. A matéria vista em sala de aula é reforçada no contraturno, com monitoria e oficinas de redação. O método de ensino tem se mostrado eficaz.

 Antes de se matricular, o aluno é entrevistado e conhece a proposta do Olimpo. “É preciso disciplina e dedicação. Em geral, no ensino médio, quem escolhe onde estudar é o aluno, portanto, os que procuram o Olimpo têm esse propósito muito claro”, explica o diretor pedagógico em Brasília, Vinícius de Miranda. O colégio nasceu em Goiânia, como pré-vestibular, e desde 2008 funciona como preparatório no DF.

 O ensino regular começou em 2009, na Asa Sul, e este ano mais uma unidade foi inaugurada, em Águas Claras. Todos os espaços do Olimpo são coletivos e ali se estimula a divisão do saber e o trabalho em equipe. A competição fica apenas para as olimpíadas de conhecimento. Estudante da 3ª série, Giberto Mitsuyoshi Yuki Junior, de 17 anos, é um dos destaques. Coleciona sucessos em vestibulares, entre eles o da USP e o de medicina na UnB, além de medalhas em competições científicas. “Preferi terminar o ensino médio, para participar de mais olimpíadas e melhorar meu currículo. Quero cursar engenharia química”, diz Giberto. O bom desempenho é consequência de um plano de estudos e metas diárias de aprendizado, tudo elaborado por ele, com auxílio do colégio.

 João Felipe Mattos, de 17 anos, da 3ª série, também foi aprovado para medicina e abriu mão da vaga. “Não tinha maturidade para começar o curso. Preferi pensar e escolhi engenharia, por ser uma área que abre muitas possibilidades”, afirma João.

 Movido pelo desejo de cursar engenharia mecatrônica, Osmar Luiz Ferreira, de 17 anos, escolheu estudar no Olimpo, em razão dos índices de aprovação. Ele lista fatores que compõem o bom ambiente de aprendizagem. “Os professores são muito bons, o colégio é conteudista, vemos a matéria várias vezes. Temos prova todo sábado, o que nos faz estudar toda semana. A convivência com colegas dedicados nos faz estudar ainda mais”, explica.

 Além do trabalho do corpo docente, o perfil dos alunos matriculados pode ser um diferencial. “Os colegas se influenciam. O ambiente é focado nos estudos. Temos uma boa relação com os professores também, mas, se alguém faz barulho na sala, os colegas é que pedem silêncio”, relata Natasha Dalcomun, também aluna da 3ª série e futura candidata a uma vaga em direito.

 “O grande diferencial do Olimpo é o foco no vestibular. Não tem gincana, nem passeio. A proposta é treinar para fazer prova de vestibular. O colégio é bom no que se propõe, que é fazer as pessoas passarem no vestibular”, completa Mateus Frota, aluno da 3ª série, que pretende cursar direito.